EPAA/AAPE Chamada Dossiê 

POLÍTICAS DE ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO EM PAÍSES DA LUSOFONIA:

Perspectivas críticas sobre a nova gestão pública e a pós-burocracia em educação

Editores Convidados:  Almerindo Janela Afonso - Professor Associado do Departamento de Ciências Sociais da Educação da Universidade do Minho, Portugal; Geovana Mendonça Lunardi Mendes - Professora Associada do Programa de Pós-graduação em Educação, Universidade do Estado de Santa Catarina 


Proposta de dossiê:  POLÍTICAS DE ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO EM PAÍSES DA LUSOFONIA: Perspectivas críticas sobre a nova gestão pública e a pós-burocracia em educação

 

Nas últimas décadas, ganhou centralidade a chamada Nova Gestão Pública que se tem traduzido, entre outras formas, pela incorporação e implementação de princípios de gestão privada nas instituições e organizações públicas. Muitas reformas setoriais seguiram esses princípios, induzidos e justificados, na maioria dos casos, de modo relativamente sincrónico, pela redefinição do papel do Estado em contexto de internacionalização crescente do capitalismo e de mudança nos modos de regulação social, cuja consequência imediata, mais visível, foi a retração das políticas públicas na área social. Na sequência destas mudanças, a obsessão (frequentemente mais retórica do que real) com a eficácia e eficiência do Estado e com a emergência de novos protagonistas, quer do mercado, quer da sociedade civil, passou também a ser entendida como pós-burocrática. Em qualquer dos casos, as promessas das diferentes versões desta ideologia gerencialista ou não foram cumpridas ou foram-no apenas parcialmente, sendo uma das críticas mais contundentes a esta ideologia aquela que se pode traduzir na ideia de que administrar é muito diferente de governar. Como consequência, outra importante nuance, nomeada de nova governação (ou governança), emergiu para deslocar a tónica da eficiência para a insuficiência dos governos, passando a coexistir diferentes orientações na definição e implementação de políticas públicas. Acrescem ainda desenvolvimentos mais recentes, muitos deles interpretados na esteira de leituras ou releituras mais cautelosas de Max Weber (hoje, aliás, com crescente interesse e visibilidade nas ciências sociais em geral), que têm trazido contributos que põem em causa a pós-burocracia considerando-a um mito que seria melhor desconstruir, e demonstrando que, ao contrário, estaremos a assistir antes à radicalização de modos de administração e gestão que devem ser considerados, mais rigorosamente, hiperburocráticos.

           

Os objetivos deste Dossiê visam, entre outros aspectos e em diferentes contextos nacionais da lusofonia, analisar políticas públicas de educação (com dominância em dimensões da administração, gestão, formação, avaliação, accountability, privatização, mercadorização...) que, implícita ou explicitamente, assumem os pressupostos da Reinvenção do Governo, da Nova Gestão Pública, ou da Nova Governança, entre outras, a partir de interpretações teoricamente sustentadas, nomeadamente, na Pós-Burocracia ou na Hiperburocracia, bem como em possíveis debates teóricos entre essas e outras abordagens em que sejam assumidas ou lógicas predominantemente mais políticas ou lógicas predominantemente mais analíticas.  


Cronograma:

 

Submissão de artigos: até 30 de dezembro de 2017

Período de avaliação: até 15 de março de 2018

Revisões: até 15 de maio de 2018

Entrega de versão final: até 1 de julho 2018

Diagramação e publicação: até 30 julho de 2018

 

Idiomas para envio de artigos: Português, Espanhol e Inglês

 

Editores Convidados: 

Almerindo Janela Afonso - Professor Associado do Departamento de Ciências Sociais da Educação da Universidade do Minho, Portugal ajafonso@ie.uminho.pt

Geovana Mendonça Lunardi Mendes - Professora Associada do Programa de Pós-graduação em Educação, Universidade do Estado de Santa Catarina geolunardi@gmail.com