Relações teoria-prática na formação de professores de Ciências: um estudo das interações discursivas no interior de uma disciplina acadêmica

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Abstract

No início dos anos 2000, no Brasil, normatizações oficiais que orientam os currículos dos programas de formação de professores passaram por uma reforma que, entre outros aspectos, buscou enfatizar o papel da vivência em escolas nesse processo de formação, aumentando o tempo de estágio nesses espaços. Além disso, a mesma legislação também exigiu que as universidades delimitassem espaços privilegiados para a construção de relações teoria-prática em disciplinas ministradas. Esse elemento do currículo foi denominado “prática como componente curricular” (PCC). Neste trabalho, investigamos processos de construção discursiva de relações teoria-prática, no nível das interações face-a-face, no cotidiano de uma sala de aula de uma disciplina do PCC. No diálogo com Stephen Ball e colaboradores, entendemos esse contexto específico – o cotidiano da sala de aula de uma disciplina universitária – como parte de um ciclo contínuo produtor de políticas de currículo, no qual diversos sujeitos e variados contextos se articulam de forma permanente e simultânea, elaborando discursos que circulam e que são ressignificados continuamente. Adotando uma abordagem naturalista de pesquisa nos orientamos por perspectivas da Etnografia em Educação. A principal fonte de dados foi a observação participante, com registro em caderno de campo e em vídeo. Nossos resultados apontam que as RTP são construídas em vários espaços/tempos da formação de professores, em especial, quando são estabelecidos debates em torno das atividades do professor na escola. Identificamos que na construção de RTP, os participantes mobilizam experiências, vivenciadas ou imaginadas. Discutimos algumas relações desses resultados com transformações nas políticas públicas para a formação de professores. 

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How to Cite
Viana, G. M., Munford, D., Ferreira, M. S., & Fernandes, P. C. (2015). Relações teoria-prática na formação de professores de Ciências: um estudo das interações discursivas no interior de uma disciplina acadêmica. Education Policy Analysis Archives, 23, 100. https://doi.org/10.14507/epaa.v23.2049
Section
Etnografía y sociolingüística de la interacción
Author Biographies

Gabriel Menezes Viana, Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ)

Professor da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Coordenador do Programa de Bolsas de Iniciação à Docência na área da Licenciatura em Ciências Biológicas da UFSJ (PIBID-UFSJ) Doutor em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) na Linha de pesquisa Educação e Ciências. Mestre em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) na linha de pesquisa Educação Escolar: Instituições, sujeitos e currículos. Licenciado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG). Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Formação de Professores de Ciências da Natureza (presencial e na modalidade à distância), Ensino Superior e Currículo.

Danusa Munford, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Possui graduação em Bacharelado em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo (1993), graduação em Licenciatura Em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo (1996), mestrado em Ciências Biológicas (Biologia Genética) pela Universidade de São Paulo (1999) e doutorado em Educação (em Curriculum And Instruction) na- Pennsylvania State University (2002) e pós-doutorado na Ohio State University (Teaching and Learning). Atualmente é professora associada da Faculdade de Educação - Universidade Federal de Minas Gerais. Tem experiência na área de Educação, com ênfase no estudo do discurso em sala de aula e Formação de Professores, atuando principalmente nos seguintes temas: ensino-aprendizagem de ciências nos anos iniciais e argumentação.

Márcia Serra Ferreira, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - Licenciatura (1988) e Bacharelado em Ecologia (1989) -, Mestrado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1995) e Doutorado em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2005). É professora adjunta da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, atuando como Superintendente Acadêmica de Pós-Graduação da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PR2). Leciona na graduação em Ciências Biológicas e no Programa de Pós-graduação em Educação da instituição. Pesquisadora 2 do CNPq e Jovem Cientista do Estado (FAPERJ), tem experiência na área de Educação, com ênfase em Currículo, atuando principalmente nos seguintes temas: ensino de ciências, história do currículo e das disciplinas, formação de professores e conhecimentos escolares em ciências.

Priscila Correia Fernandes, Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ)

Estou cada vez mais interessada na produção de sentidos que abrem multiplicidades sobre a escola. Acho as biologias belas, mas me debato com suas estruturas. Meus bailes contemporâneos são coreografias de dar a volta nessas estruturas, da escola, das biologias. Por isso tenho provocado minhas pesquisas com leituras de filosofia, de literatura, de cinema e de artes outras. Fiz a licenciatura em ciências biológicas e doutorado em Biologia Funcional e Molecular. Meu pós-doutorado foi na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG onde aprendi caminhos ricos de pesquisar. Sou professora da Universidade Federal de São João del-Rei desde 2006, e com alunos das ciências biológicas tenho exercitado jeitos de formar professores. No mestrado em educação sou do Grupo de Pesquisa Educação, Filosofia e Imagem, lugar de bailes extravagantes, de deliciosas (e nutritivas) leituras onde acontecem possibilidades de inventar pesquisas. Com essas pessoas que amo tenho me dedicado à leitura de autores que propõem uma filosofia pouco estruturalista (pós?), à produção de sentidos pela fotografia e pelo cinema. Me interesso pelas fraturas, pelos fragmentos, pelas travessias e superficialidades.