Fundeb e transição demográfica: Efeitos distributivos e sustentabilidade financeira das redes municipais de educação em Caucaia e Eusébio, Ceará, Brasil
DOI:
https://doi.org/10.14507/epaa.34.9430Palavras-chave:
Fundeb, financiamento educacional, equidade federativa, transição demográfica, justiça distributivaResumo
Este artigo analisa os efeitos do modelo de financiamento educacional via Fundeb sobre a equidade federativa em contextos demográficos contrastantes, com base em um estudo comparativo entre os municípios cearenses de Caucaia (com retração populacional) e Eusébio (em expansão populacional). A pesquisa operacionalizou quatro indicadores principais: taxa de crescimento/redução de matrículas, relação Fundeb/recursos próprios, custo aluno-ano e densidade institucional da rede. Os dados referentes ao período de 2014 a 2024 revelam que Caucaia apresentou redução de 2,2% nas matrículas e maior dependência do Fundeb (relação 3,44), enquanto Eusébio registrou crescimento de 16,4% e menor dependência (relação 0,87). Fundamentado nos referenciais de Rawls (1999), Sen (2009) e Merton (1968), demonstra-se que o atual modelo, embora incorpore fatores de ponderação e mecanismos redistributivos introduzidos pela EC nº 108/2020 (VAAF, VAAT e VAAR), ao manter como eixo central o número de matrículas ponderadas, tende a produzir efeitos assimétricos em contextos demográficos distintos, com municípios em expansão apresentando ganhos relativos de escala e aqueles em retração enfrentando desafios de sustentabilidade financeira. Conclui-se pela urgência na implementação do Custo Aluno-Qualidade (CAQ) e na adoção de mecanismos redistributivos que considerem variáveis demográficas, fiscais e sociais, assegurando sustentabilidade financeira e justiça educacional em contextos de desigualdade.
Downloads
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 José Cavalcante Arnaud, José Matias Alves

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-ShareAlike 4.0 International License.