Legislando as emoções: Análise discursiva de propostas legislativas sobre educação emocional no Chile e no Uruguai
DOI:
https://doi.org/10.14507/epaa.33.9097Palavras-chave:
discurso, educação, emoção, lei, políticasResumo
Recentemente, em diversos países latino-americanos têm proliferado propostas legislativas sobre educação emocional, as quais se inscrevem em um “boom emocional” que tem contribuído para a entrada de novos atores na arena das políticas educacionais e para o desenvolvimento de uma agenda global–local. Este artigo analisa discursivamente os casos do Chile e do Uruguai. Por meio de um desenho misto de tipo sequencial explicativo QUAN→QUAL, são abordados dois corpus textuais que incluem propostas legislativas, argumentações em contextos parlamentares e entrevistas em meios de comunicação. Inicialmente, examina-se quantitativamente o vocabulário relevante dessas propostas; posteriormente, analisa-se qualitativamente como, no contexto das argumentações nos cenários estudados, se constroem circunstâncias, meios e fins. A partir da análise de elementos comuns e diferenciadores, evidencia-se uma tendência em que os emo–empreendedores contribuem para produzir e distribuir legislativamente normas e padrões a sujeitos concebidos como “carentes” em seus desdobramentos afetivos. Essa nova faceta dos processos contemporâneos de emocionalização articula-se, em ambos os contextos, com agendas neoliberais–neoconservadoras. Os achados são discutidos a partir da necessidade histórica de construir políticas e práticas educacionais orientadas para a vida comum, que transcendam as fantasias de controle e regulação de nossas capacidades de afetar e ser afetados.
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